Manifesto da Coragem chega às Jornadas de Arte e Educação
O «Manifesto da Coragem», projeto desenvolvido com alunas da turma 12.º 4 da Escola Secundária Seomara da Costa Primo, foi apresentado nas II Jornadas de Arte e Educação, realizadas na Universidade Lusófona.
Nascido nas aulas de Português, a partir do estudo do Modernismo e da leitura do Manifesto Anti-Dantas, de Almada Negreiros, o projeto desafiou catorze alunas a transformar inquietações, medos e preocupações da juventude contemporânea numa criação coletiva com voz própria. Escrita, música, artes visuais, vídeo e performance foram-se cruzando ao longo de várias semanas, num processo que culminou, numa primeira fase, na apresentação pública do «Manifesto da Coragem», a 21 de maio, no auditório da escola.
Nas Jornadas, a professora Laura Saramago, responsável pelo projeto, apresentou o percurso da sua criação, numa comunicação que contou também com a participação da professora Margarida Silva, coordenadora do Plano Nacional das Artes no Agrupamento, que acompanhou o desenvolvimento do trabalho, colaborou nos ensaios e fez a introdução da sessão.
Um lugar de particular destaque coube às alunas Miriam Silva e Beatriz Alencar, que aceitaram o desafio de levar a sua experiência para fora da escola e de a partilhar, na primeira pessoa, perante um novo público. Num formato de conversa, responderam a questões sobre a criação coletiva, os bastidores dos ensaios, os desafios pessoais enfrentados e o papel das diferentes linguagens artísticas na construção da performance.
A presença das duas alunas tornou particularmente visível uma das ideias centrais do projeto: o aluno não apenas como destinatário da aprendizagem, mas como autor, criador e participante ativo na vida cultural. Esta dimensão foi, aliás, destacada pela organização das Jornadas, que valorizou o lugar atribuído às alunas em todo o percurso — da conceção e construção do projeto à sua concretização e apresentação pública. Uma abordagem coerente com o propósito do «Manifesto da Coragem», que procurou criar condições para que as jovens assumissem o papel de autoras, intérpretes e agentes culturais.
A disponibilidade e a generosidade com que Miriam e Beatriz aceitaram este novo desafio permitiram que a comunicação não fosse apenas um relato sobre um projeto desenvolvido com alunos, mas também o testemunho direto de quem esteve no centro do processo, dando voz à experiência de criar, colaborar, ensaiar, ultrapassar inseguranças e apresentar publicamente um trabalho construído em conjunto.
Do auditório da Seomara à Universidade Lusófona, o «Manifesto da Coragem» prolongou, assim, o seu percurso e reafirmou a ideia que esteve na sua origem: criar espaço para que os jovens possam pensar, criar, tomar posição e fazer ouvir a sua voz.

