José MILHAZES na ES Seomara da Costa Primo

A propósito da apresentação do seu último livro editado, Enquanto Lisboa arde, o Rio de Janeiro pega fogo, o escritor Hugo Gonçalves participou, no passado dia 30 de novembro, num encontro com os alunos de várias turmas do ensino secundário da Escola Secundária Seomara da Costa Primo.
Fez-se a conversa pela arte de contar histórias, tentativa de compreender os outros, necessidade urgente sentida desde sempre pela Humanidade. A capacidade da linguagem, exclusiva nas espécies primitivas do “Homo Sapiens”, permitiu-lhe o desenvolvimento da comunicação e da cooperação num esforço coletivo, fez nascer a empatia com o outro, criando e fortalecendo a conexão com o humano.
Milhares de anos depois, nas sociedades atuais, nos mais diversos suportes e sob as mais diferentes formas, a arte da narrativa continua a assegurar o processo de sobrevivência e a conferir sentido a tudo o que parece não o ter.
Do outro lado do processo narrativo, a leitura exercita o cérebro, trazendo a alquimia mágica da produção e libertação de substâncias químicas capazes de elevar os níveis de memória, concentração, a nossa capacidade de empatia com os outros e tão importante faculdade de sorrir.
A equipa da biblioteca Seomara
Fotografias dos alunos do 3º ano Curso Profissional de Técnico de Fotografia
Aconteceu e, por isso, pode voltar a acontecer.
Primo Levi
Numa iniciativa da biblioteca escolar Seomara, o professor e escritor João Pinto Coelho conversou hoje, dia 9 de março, com alunos dos décimo e décimo primeiro anos da Escola Secundária Seomara da Costa Primo a propósito dos seus dois primeiros romances, Perguntem a Sarah Gross e Os Loucos da Rua Mazur.
Para que a memória não se apague, não possa ser alguma vez esquecida, fez-se a conversa sobre a contextualização histórica que originou as obras de ficção acima referidas, sobre os anos de trevas em Auschwitz e em muitos outros lugares, sobre a Solução Final, minuciosamente arquitetada e levada a cabo nas eficientes fábricas de desumanização e morte. Dos muitos carrascos, do número avassalador de vítimas e dos muitos mais que, tendo testemunhado o horror inimaginável e, talvez por isso, indizível, escolheram não o denunciar.
Setenta e cinco anos depois, é cada vez mais urgente estar atento à forma rápida, insidiosa e dissimulada como o ódio e a intolerância nos invadem e retiram a humanidade, começando com aparentes pequenos sinais para se transformar em gigantescos muros quase impossíveis de derrubar.
Se os caminhos da escrita e da criatividade são viagens pelo tempo e para muitos lugares reais ou imaginados, se com eles aprendemos experiências passadas e prenúncios futuros, fica o desafio do escritor a todos os que o ouviram: Por que não experimentar?
A equipa da biblioteca