No dia 28 de maio, alguns dos elementos do Grupo de Teatro AbreMundos tiveram a honra de participar numa aula do Mestrado de Teatro e Comunidade da Escola Superior de Teatro e Cinema, numa iniciativa dinamizada pela professora Rita Wengorovius, em parceria com a associação CRID – Centro de Reabilitação e Integração de Deficientes e o projeto Palco Iluminado. A sessão contou ainda com a participação do grupo de teatro Grutesco, da Escola Secundária da Amadora, reunindo, assim, estudantes, artistas, utentes e futuros profissionais do teatro num verdadeiro espaço de encontro e criação coletiva.
Sob o tema "Construção de Pontes – Inclusão através da Cena", a tarde foi construída através de dinâmicas de apresentação, exercícios de corpo e voz, exploração do espaço, comunicação não verbal, criação coletiva e momentos de reflexão partilhada. Ao longo das diferentes atividades, os participantes foram convidados a escutar, observar, imaginar, criar e, sobretudo, a relacionar-se através da linguagem universal do teatro, numa experiência profundamente humana.
Nas palavras da professora Rita Wengorovius, que acolheu e organizou este encontro, «o Teatro e Comunidade é um Espaço Democrático e de Encontro». Um lugar onde não se procura a uniformidade, mas antes a celebração da diferença; onde a vulnerabilidade se transforma em potência criativa e onde o coletivo se assume como um corpo plural.
Os participantes tiveram oportunidade de experimentar precisamente essa visão do teatro. A partir dos exercícios de espelho, de escuta e de criação de cenas sobre temas como a empatia, a igualdade, a discriminação, a inclusão e o isolamento, foi possível testemunhar como a arte pode aproximar pessoas com características, idades e experiências de vida muito distintas.
Como referiu a professora Rita, «fazer teatro com a comunidade é, antes de mais, um ato de escuta profunda». O palco deixa de ser apenas um espaço de representação para se tornar um território de vizinhança, onde cada pessoa encontra lugar para contar a sua história e reconhecer a história do outro.
Esta dimensão foi particularmente significativa para os alunos do AbreMundos, habituados a pensar o teatro como um lugar de criação artística, mas também como um espaço de relação e de cidadania. Ao trabalharem lado a lado com estudantes de mestrado, utentes do CRID e elementos do Grutesco, perceberam que o teatro ganha novas possibilidades quando diferentes vozes se encontram e constroem em conjunto.
Outra das ideias partilhadas pela professora Rita marcou profundamente este encontro: «No jogo teatral comunitário, o corpo não executa apenas um texto; o corpo é o texto.» Nas improvisações e dos exercícios de movimento, foi precisamente o corpo, a presença, o olhar e a escuta que se tornaram linguagem comum entre todos os participantes.
O encontro terminou com uma roda final de partilha, na qual cada pessoa pôde expressar aquilo que levava consigo desta experiência. Foram palavras, gestos e emoções que confirmaram aquilo que esteve presente durante a sessão: a certeza de que o teatro pode ser um poderoso instrumento de inclusão, participação e transformação social.
O Grupo de Teatro AbreMundos agradece à professora Rita Wengorovius, aos estudantes do Mestrado em Teatro e Comunidade da ESTC, ao CRID, ao projeto Palco Iluminado e ao Grutesco pela forma generosa como nos acolheram e pela oportunidade de participarem numa experiência tão enriquecedora.
Regressámos à escola com novas aprendizagens, outras perguntas e a convicção reforçada de que o teatro, quando colocado ao serviço do encontro humano, continua a ser uma das mais belas formas de construir comunidade.