01 Erasmus+ Project Management & Educational Visits, Reykjavik, Islândia, Fev. 23
JUNTOS CONTRUÍMOS SUCESSO… COM A GESTÃO EFICAZ DO PROJETO ERASMUS+
Parte 1
Entre os dias 12 e 18 de fevereiro, o 1º fluxo de mobilidade Erasmus+ esteve em Reykjavik, Islândia, a capital de um estado soberano com a latitude mais a norte do mundo: 64º08’N!
O Diretor do Agrupamento, Rui Fontinha, e as docentes Ana Água e Ana Flôr integraram o curso de desenvolvimento pessoal «Erasmus+ Project Management & Educational Visits», organizado pela PMS Erasmus+.Neste grupo de trabalho estiveram também presentes colegas de escolas da Alemanha e da Eslovénia.
Numa sala com um contexto vintage, aconchegante e com a orientação da nossa formadora Mareike Raabe, os participantes começaram por adquirir um brevíssimo contacto com a língua Islandesa, a que se seguiram apresentações de cada contexto nacional e escolar.
Após este momento, deu-se início à aquisição e partilha de práticas e competências no âmbito da gestão do projeto Erasmus+, que se prolongou até ao dia 18, culminando com a entrega dos certificados.
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Parte 2 - VISITA A ESCOLAS EM REYKJAVIK
Uma das atividades incluídas no curso «Erasmus+ Project Management» foi a visita a escolas que também têm acreditação e projetos no âmbito do programa Erasmus+.
Os docentes visitaram 3 escolas diferentes, na localização geográfica, na estrutura e na orgânica, mas com quatro características em comum que impressionaram pela positiva: os recursos materiais e humanos necessários, a organização e distribuição dos espaços, o investimento na identidade visual, e a autonomia responsável dos alunos conferida por uma postura de flexibilidade. Em relação a este último aspeto, agradou-nos particularmente perceber o sentimento de pertença que os alunos têm em relação à escola, que também é fomentado por esta.
Escola 1

https://www.verslo.is/english/about-us/
Esta escola é semi privada, com financiamento parcial do estado e uma propina suportada pelas famílias. Trata-se de uma escola secundária, direcionada para o prosseguimento de estudos, que recebe alunos de toda a Islândia e tem cerca de 1000 alunos.
O currículo de cada um dos cursos está organizado por anos e disciplinas, embora exista um sistema de créditos que permite certificar os alunos e garantir-lhes o acesso a instituições de ensino superior fora da Islândia.
Visitámos algumas áreas da escola, onde constatámos a qualidade e diversidade dos recursos, nomeadamente nos laboratórios, salas de aula, biblioteca e espaços de trabalho e de convívio dos professores. Consideramos particularmente interessante o estudo aprofundado das espécies autóctones do país, como verificámos na exposição numa das salas. Tal como a possibilidade de os alunos escolherem disciplinas opcionais, tais como o design de moda ou a costura.
Ao passarmos pelos corredores, percebemos o cuidado com a identidade visual da escola que tem também rasgos de criatividade. Também se verifica esse espírito de pertença nas canecas personalizadas dos professores.
Ficámos a saber pelo nosso anfitrião, o coordenador do Gabinete Internacional, que a escola envia, com frequência, professores e alunos em mobilidades no âmbito do programa Erasmus+ e de outros projetos internacionais, recebendo também participantes de outros pontos da Europa, inclusivamente Portugal.
A população escolar é bastante proativa, promovendo várias iniciativas culturais, com destaque para o espetáculo final anual (do género do teatro musical), que lhes permite aplicar competências transversais tais como o empreendedorismo e as artes.
A forma aberta como os alunos nos cumprimentaram nos corredores e nas salas de aulas denota que eles não só estão habituados a receber visitas na sua “casa”, como fazem gosto nisso.
Escola 2

https://www.bhs.is/skolinn/english
Numa manhã de neve, entrámos no edifício escolar e o nosso guia, professor de Alemão da escola ligado ao gabinete internacional, convidou-nos a tirar o nosso calçado, à semelhança de todos os que ali trabalham e estudam. De facto, rapidamente verificámos que os alunos se descalçavam à entrada da escola e guardavam o calçado nos cacifos aí disponíveis.
Fomos ainda atraídos para a pintura de uma das paredes com as inscrições coloridas dos valores da escola em islandês que o nosso guia gentilmente traduziu: Igualdade, Criação, Autodisciplina, Progressão e Amizade. O professor explicou-nos que as atividades promovidas na escola são progressivas e criativas assentando na igualdade e na amizade e tendo como requisito imprescindível a autodisciplina.
Reparámos no cuidado com a comunicação/ informação presente em todos os pisos, através de ecrãs. A qualidade da identidade visual da escola é uma constante, identificável na sinalética e na replicação de posters com os valores da escola. O típico humor islandês também se faz notar nos posters digitais que descrevem os professores nas suas áreas de ensino, valorizando-os, aliviando-os das pressões inerentes à profissão, enquanto contribui para um ambiente de salutar convívio e bem-estar emocional.
Os alunos também se reveem neste objetivo fundamental, com a exposição das fotos de “família” da conclusão do 12º (graduation). Trata-se de um momento muito relevante para as suas vidas de estudantes, celebrado com uma festa e indumentária a rigor: os alunos usam fato e um chapéu próprio para o efeito cujas cores variam consoante o curso.
Começámos, então, a nossa visita guiada, primeiro pela parte da escola reservada ao ensino profissional, em que se destacaram as oficinas e respetivos equipamentos de topo, sendo financiados maioritariamente pelo estado, mas também por empresas. Tivemos oportunidade de observar os alunos em aulas práticas, a trabalhar nas áreas da mecânica automóvel e da refrigeração e climatização. Todos os alunos do ensino profissional estão devidamente identificados, usando sweatshirts da cor dos respetivos cursos com os nomes dos próprios e com o logotipo da escola. Do passadiço superior, conseguimos ter uma perspetiva da significativa dimensão da área profissional, bem como da organização da mesma.
Num segundo momento, visitámos a parte da escola onde funcionam os cursos científico-humanísticos (“academic programes”). Espreitámos para dentro de algumas salas de aula, admirámos a forma descontraída como alunos e professores se relacionam no contexto de ensino-aprendizagem, deslumbrámo-nos com as paisagens de neve que decoravam as janelas.
Esta escola é também muito ativa em projetos de cooperação internacional. Em 2020 a escola recebeu a Acreditação Erasmus+, o que vem reforçar o investimento na sua internacionalização, nomeadamente através de mobilidades de professores e alunos, e oportunidades de job shadowing para docentes.
Os “postos de trabalho” dos professores num amplo espaço de cowork são outra evidência da organização e rentabilização dos espaços desta escola.
Terminámos a visita com uma breve passagem pela sala de professores, convidados pela música relaxante e pelo ar tão acolhedor que nos poderia remeter para a sala de estar lá de casa! O mural com a palavra «HRÓS», que significa “Elogio”, onde os docentes escrevem as mensagens motivacionais foi, para nós, uma verdadeira inspiração!
Escola 3

Datada de 1975, esta escola tem ensino diurno e noturno. Situa-se na periferia de Reykjavik e é a escola com maior diversidade socioeconómica e cultural das que visitámos. É considerada, por isso, uma escola “comunitária” com ensino secundário integrado, tendo sido a primeira com essas características em toda a Islândia e uma das maiores do país. Ser uma escola com ensino integrado significa, no sistema de ensino islandês, ter os alunos organizados em cursos e não em turmas, ou seja, para seguirem uma determinada área de estudos com as disciplinas que pretendem, os alunos frequentam turmas diferentes. Esta escola distingue-se, portanto, das que visitámos antes, e que funcionam como o nosso sistema de ensino: são constituídas turmas por área de ensino e com um horário definido. O sistema de ensino islandês prevê estas duas ramificações.
A nossa guia, professora de Islandês, responsável pelo gabinete internacional e também do grupo de teatro da escola, informa-nos que a escola tem atualmente mais de 1500 alunos em ambos os regimes de ensino, um corpo docente de 110 professores e 14 assistentes administrativos e operacionais.
Para além da oferta de cursos “académicos” (ensino regular), preparando os alunos para o ensino superior na Islândia ou outras instituições europeias e nos EUA – nestes estão incluídos os cursos de Artes e de Têxtil (design de Moda)-, a escola oferece cursos profissionais com especializações em Estética, Carpintaria e Eletricidade, bem como uma certificação profissional para o exercício de Enfermagem – percebemos pela descrição que equivale àquilo que designamos em PT por Auxiliar de Saúde.
Visitámos as instalações onde decorrem alguns destes cursos, nomeadamente o de Saúde, o de Estética e o de Eletricidade. Maravilhámo-nos novamente com os excelentes recursos e com a organização. Fomos recebidos com uma extrema amabilidade e disponibilidade.
Visitámos também salas de algumas disciplinas, incluindo a de Geografia / Geologia – a nossa guia informou-nos que o estudo destas disciplinas é de caráter obrigatório até final da formatura, dadas as características tão diferenciadoras da Islândia. A nossa última incursão foi à sala de Educação Especial, onde apanhámos os alunos a fazer bolinhos para o Bunns Day, que se celebra na segunda feira de cinzas.
Também nesta escola, constatámos a forma como o espaço está bem distribuído e gerido, quer para professores quer para alunos, apostando-se na funcionalidade e no bem-estar/ lazer.
A existência de um Fab Lab nesta escola diferencia-a em relação a outras instituições. Trata-se de um espaço que promove a inovação tecnológica e digital, estando apetrechado com tecnologia de topo. É aberto à comunidade, pressupondo pagamentos pela utilização dos recursos disponíveis. Os cursos da escola que incluem disciplinas de empreendedorismo e inovação têm essas aulas no Fab Lab.
À semelhança das escolas visitadas anteriormente, também esta tem já uma longa e consistente participação em projetos internacionais no âmbito do Erasmus+ e de outros programas europeus, quer recebendo grupos de alunos e professores de outros países, quer enviando elementos da sua comunidade escolar em mobilidades. A escola é reconhecida pela sua agência nacional pelos projetos de mobilidade de elevada qualidade, especialmente os que envolvem o ensino profissional. A sua participação no Euroskills tem sido amplamente premiada.
Parte 3 - VISITAS CULTURAIS
Islândia – Reykjavik
Vindos do Sul da Europa, tínhamos a certeza de que a Islândia nos surpreenderia. Terra do gelo, cuja marca está no nome, também é a do fogo, que está na sua origem e que continua a acrescentar-lhe território centímetro a centímetro. Sabíamos que a natureza é esplendorosa. Sabíamos que o inverno é rigoroso, com baixas temperaturas e com um tempo feito de humores ao longo de um mesmo dia – “se o tempo não te agrada, só tens de esperar cinco minutos” – assim dizem os islandeses. Sabíamos da sua população de cerca de 347800 habitantes, em que quase metade habita a capital Reykjavik. Sabíamos muitas outras coisas, mas sabíamos pouco. Nuns quantos dias aprendemos um pouco sobre a Islândia e os islandeses, porque não se pode aprender sobre aspetos específicos, como a educação, sem conhecer o seu contexto.
Sem pretensões de roteiro, partilhamos o que vimos, visitámos, as emoções, o que nos ficou na memória e também na máquina fotográfica.
Chegámos à Islândia, aeroporto de Keflavik com vinte e quatro horas de atraso. Pois é, no dia em que era suposto chegarmos o vento decidiu soprar um pouco mais forte e não houve quem se atrevesse a levantar ou aterrar qualquer avião. Esperávamos frio com neve. Ofereceram-nos frio com chuva. Aceitámos até ver. Saímos do aeroporto por volta das 17h, era início de noite. Entrámos no apartamento que nos estava destinado em Reykjavik, uma hora depois e a noite estava instalada. Por esta altura do ano o dia nasce pelas 9h30 e termina pelas 17h/ 17h30.
A partir daqui falemos sobre Reykjavik, que será um pouco falar sobre a cidade, mas também sobre os islandeses e os seus hábitos.
Reykjavik é uma cidade simpática, onde é fácil andar, quem fica instalado no centro da cidade, no 101 (distrito 101), onde tudo acontece, desloca-se com facilidade a pé para os principais pontos de interesse. Uma das primeiras coisas a perceber é que não vale a pena tentar ler nomes de ruas, monumentos, seja do que for. A língua islandesa é um pouco para o impronunciável e o que nos pareceu foi que os islandeses decidiram pegar no alfabeto que todos conhecemos, acrescentaram-lhe algumas letras, porém o problema não reside nesse facto, e deram-lhes uma pronúncia que é impossível de adivinhar. Portanto Keflavik, diz-se Keplavik; Perlan, diz-se Petlan e não vale a pena continuar com exemplos. A saber que um islandês nunca dirá que estamos a pronunciar mal qualquer palavra e até é capaz de reconhecer o esforço, por isso mesmo aprendemos a dizer “Bom dia” – “Gódan daginn”. Talvez também devêssemos ter aprendido a dizer “Ég tala ekki íslensku”, esta é fácil de adivinhar o que quer dizer.
Se pelo aceitarem facilmente que não falemos a sua língua se revela a simpatia dos islandeses, uma breve troca de palavras revela o seu sentido de humor muito próprio, uma das suas marcas mais conhecidas de vestuário tem como mote “Waiting for summer since 1926”, nada mais a dizer.
O que visitámos em Reykjavik, porém não estamos certos que seja o mais importante. Perdidos? Talvez um pouco.
Reykjavik é uma cidade de pequenas casas coloridas, revestidas a alumínio, por existir em abundância na ilha, e com prédios baixos devido à atividade sísmica. Pela cidade existem muitas estátuas e muitos murais nas paredes dos prédios. Em fevereiro, por o período em que há luz do dia, ser ainda reduzido mantêm-se em muitas casas as iluminações de Natal exteriores. Por isso e por o preço da eletricidade ser bastante acessível.
A Laugavegur é a rua principal comercial da cidade. Não há como escapar-lhe porque tudo o que pretendemos ver, comprar, experimentar está nessa rua: todo o tipo de presentes, cafés, restaurantes, bares, bares com música ao vivo, livrarias, lojas de roupa, supermercados ou antes o supermercado Bónus, que é o melhor amigo da carteira de qualquer visitante. Esta rua cruza-se com uma outra a Skólavörðustígur que dá acesso à icónica igreja luterana Hallgrímskirkja.
O Harpa Concert Hall, a escultura de reverência ao sol – Sun Voyager – o lago Tjornin, quase gelado na sua totalidade nesta época do ano, o Museu Perlan, a experiência no FlyOver, toda a zona do Velho Porto são locais a visitar, o mais difícil é não nos perdermos por lá e quase de certeza que há algo de que nos estamos a esquecer neste momento.
Tudo muito bem, mas o que distingue os islandeses e Reykjavik? Há um hábito de que soubemos, todavia não conseguimos, obviamente com muita pena nossa, confirmar. Parece que na Islândia existe a mania de frequentar as piscinas aquecidas. Em Reykjavik existem várias e estão habitualmente abertas das 6h às 22h. Ir à piscina antes ou depois do trabalho é como para nós ir beber um café porque nas ditas piscinas nada-se, mas sobretudo conversa-se sobre tudo e mais alguma coisa e sobre o mais apreciado tópico de conversa islandês, o tempo. Compreendemos este tópico de conversa já que o tempo foi castigador. Houve frio, a neve fez-se esperar e houve chuva. Quanto a esta nem pensem em utilizar um chapéu de chuva na Islândia, achamos até que é um objeto desconhecido. Chover, chove, mas também faz um vento tal que não há chapéu que resista.
De estranhar que quase não vimos crianças nas ruas. Apareceram numa sexta-feira. Deviam estar guardadas algures, porém ao aparecerem, vimo-las brincar ao ar livre, mesmo com frio, mesmo com neve.
E agora, comidinha. Os islandeses não têm uma comida muito variada. Algumas sopas, alguns pratos de peixe (pouca variedade de peixes) e carne de borrego. Provámos a sopa de lagosta, uma sopa de peixe e uma sopa de borrego. Boas, mas as preferências cada um tem as suas. A truta e o salmão imperam nos pratos de peixe, o borrego nos de carne. Provámos e não ficámos desiludidos. Têm também algumas iguarias de que não gostámos de todo e outras que nem ousaríamos experimentar, mas não queremos falar desses pormenores. A não perder um chocolate quente simples ou, como diríamos por cá, com um cheirinho após uma caminhada pelas ruas da cidade, ou um gelado de Skyr, sim na Islândia faz frio e comem-se gelados quando estão temperaturas negativas, ou simplesmente um Skyr, que não, não são iguais aos que há nesta ponta da Europa.
A seguir alguns outros locais por onde passámos. Mantivemos os nomes em inglês por assim os termos encontrado.
The Golden Circle
Ao terceiro dia, finalmente, nevou…mas tivemos de esperar o dia inteiro.
Depois da visita a uma escola secundária, Verzlunarskóli Ísland, que nos permitiu conhecer uma parte da realidade educativa islandesa, partimos para descobrir três locais marcantes da Islândia: Thingvellir National Park, Gullfoss e Geyser.
A Islândia está posta em sossego, quando está, sobre duas placas tectónicas, a norte-americana e a euroasiática. Foi no Thingvellir National Park que pudemos andar entre estas duas placas tectónicas, ora um pézinho numa, ora na outra…brincadeira!, onde caminhámos numa das fissuras, a de Almannagjá, que resultou dos movimentos destas duas placas. Foi, também, aqui que um de nós percebeu, pela primeira vez, que andar em cima de gelo pode resultar numa queda, neste caso sem consequências. Só é preciso saber cair! Foi, ainda, por aqui que se andou a filmar uma das temporadas de “Game of Thrones”.
Daqui partimos para a queda de água, parece-nos redutor chamá-la assim, de Gullfoss. Está deste modo classificada, mas talvez preferíssemos designá-la como uma catarata. A nossa influência não foi suficiente para que se fizesse qualquer alteração. Se derem uma vista de olhos às fotos percebem a nossa perspetiva. Neste dia, por aqui, só faltou o arco-íris que se costuma formar sobre Gullfoss.
E estávamos a esquecer-nos de uma paragem secreta, com esta condição apenas em território islandês, que fizemos entre o Thingvellir National Park e Gullfoss. A meio do caminho paramos para travar conhecimento com uns cavalos islandeses. Para que se saiba, são dos únicos animais que se mantêm ao ar livre durante o inverno. Há quem os apelide de póneis, uma ofensa para os islandeses, mas de facto são para o baixote. Diz-se que a sua estrutura é para fazer face ao tempo durante o inverno, o que para nos pareceu algo incompreensível, a não ser que assim tenham mais resistência ao vento. Ideias que nos passam pela cabeça!
Última paragem deste dia Geysir, uma área geotermal situada numa zona vulcânica, onde fomos surpreendidos pela neve. Esta área tem diversas poças de água quente e borbulhante, que não convém experimentar pela temperatura, provoca sérias queimaduras já que a água pode estar a uma temperatura de 100ºC. De uma das maiores poças de água sai um geyser que irrompe de poucos em poucos minutos, um espetáculo a assistir em replay. Pela água quente e contraste com a temperatura ambiente uma espécie de nevoeiro é constante. Ora, sendo portugueses pensámos que finalmente encontraríamos o perdido D. Sebastião, que segundo a lenda não só desapareceu em Alcácer-Quibir como se terá refugiado numa ilha. Poderia ser a Islândia!
The Blue Lagoon
Desta vez a tarde prometia ser calma e relaxante, o local de destino era a Blue Lagoon, um spa geotermal, construído num campo de lava. Prometia e cumpriu-se. O local tem algo de paradisíaco e simultaneamente desafia os nossos sentidos. Uma enorme piscina termal ao ar livre, onde o contraste é feito pelo tom azulado da água – que tem origem na presença de partículas de sílica, a fazer lembrar as águas azuis de sítios tropicais, mas numa paisagem envolvente que é de neve, com pedras cinza-escuro, quase negras.
Numa terra desafiante, que utiliza os seus recursos naturais, como a energia geotérmica, tínhamos de ter um desafio. Se a água desta enorme piscina termal tem uma temperatura que ronda os 38ºC, o percurso, do vestiário até à mesma, é feita em fato de banho e ao ar livre. Sente-se um certo fresquinho perdoado ao entrar na água, onde se pode estar confortavelmente ao mesmo tempo que sentimos a neve a cair. Por certo, é possível pedir um roupão, mas a experiência não seria a mesma.
Ao sairmos da Blue Lagoon tivemos o vislumbre de uma muito ténue aurora boreal, chegámos a pensar que seria a única que conseguiríamos ver…
The Northern Lights
The Northern Lights, por cá conhecidas como auroras boreais, são um misto de presente especial, para quem se dispõe a experimentar o inverno rigoroso islandês, e uma caça aos gambuzinos. Este fenómeno que só é observável num número restrito de países, aqueles que estão quase colados ao círculo polar ártico, em determinada época do ano e reunidas certas condições atmosféricas – entre as quais um céu sem nuvens e estrelado, requere que nos desloquemos à noite para um local com pouca ou nenhuma iluminação. Isto, também, quer dizer que se irá sentir muito frio!
A nossa primeira tentativa não resultou. Saímos de Reykjavik pelas nove da noite, nós e um autocarro com mais umas cinquenta pessoas. Fazia um frio, ainda, suportável. A expectativa era grande, exigíamos ser deslumbrados, mas nada! Esperámos com os olhos colados ao céu desde o momento em chegámos ao destino, porém a única luz que se via era a de farol ali perto, pálida para a sua função. Numa rapidez lenta chegou a informação de que não haveria auroras naquela noite, nem ali, nem num segundo lugar onde deveríamos passar. Teríamos de tentar outro dia ou se não o conseguíssemos durante esta permanência na ilha, poderíamos tentar numa outra viagem, desde que nos três anos seguintes…é preciso satisfazer os clientes!
O mau tempo cancelou a segunda tentativa e nesse mesmo dia ficámos a saber que, na véspera, uma colega de um outro grupo de formação tinha visto uma aurora boreal da janela do apartamento onde se encontrava em Reykjavik, coisa que não é comum, o que nos levou a concluir que andava a acumular a sua sorte para aplicar numa situação como esta.
Última noite na Islândia, terceira tentativa, após um dia de mau tempo, já sem muita vontade, mas com alguma teimosia partimos, novamente, à caça das auroras boreais, que esperávamos não se tornasse mais uma caça aos gambuzinos. Mal tínhamos saído do autocarro e os nossos ouvidos deliciaram-se com o aviso do guia “the lights are here!”. E estavam! Entusiasmo dos desiludidos de outras tentativas e dos estreantes, “the northern lights” tinham vindo mostrar-se, brincar com a nossa visão, maravilhar-nos, deixar-nos sem fôlego numa noite de céu limpo, estrelado e com um vento inclemente de frio. Regressámos congelados, regressámos a “Cre[r] no Mundo como [numa aurora boreal] / Porque [a vimos]” (adaptação um pouco tosca de uns versos de Alberto Caeiro).
The South Coast
Este foi um dia que amanheceu verdadeiramente islandês, que é o mesmo que dizer imprevisível, no que à meteorologia diz respeito. Partimos bem cedo de Reykjavik, 8h/8h30, que para nós se faz sentir cedo, não pela hora, mas pela luminosidade…ainda está escuro. Assim que saímos da cidade percebemos que teríamos uma aventura pela frente, mesmo sem termos visto qualquer um dos locais a visitar. Chuva intensa e muito, muito vento. No mini-bus em que viajávamos, silêncio. A nossa condutora e guia, uma húngara simpática a residir há um bom tempo na Islândia, assegurava-nos sobre a sua experiência em conduzir neste tipo de condições atmosféricas, porém eis que nos surge na paisagem um mini-bus, da mesma companhia, fora da estrada, atolado na neve, Respeito!
A partir deste momento, percebemos que haveria dificuldade em cumprir o roteiro previsto. Entregámo-nos nas mãos da nossa guia, aceitámos as suas sugestões, que passaram por alterações ao roteiro –“We are not going to…”, “Let´s go to…” (ditos num inglês marcado pelo sotaque húngaro) - e obedecemos às suas regras, algumas fáceis de seguir já que a primeira implicou uma paragem, numa pequena padaria em Hvolsvollur, onde foi possível comprarmos, para mais tarde exercitarmos o nosso paladar, os magníficos “Bunns” (uns bolinhos deliciosos), que arruínam qualquer ilusão de manter a linha. Daqui seguimos para a queda de água Skógafoss e, assim, entrámos num dos cenários da série “Game of Thrones”. Magnífica, deslumbrante, soberba, fascinante, sumptuosa, mas, também, com um acesso escorregadio, o que fez um de nós ficar a admirar a sua beleza ao longe e a regressar ao mini-bus pela mão prestável da guia…as figuras que se fazem!
E agora, daqui para onde? Daqui direitinhos para Reynisfjara, a praia da areia negra, com o aviso de que não era tempo para banhos, que as ondas gostam de pregar partidas aos curiosos e que não há nadadores-salvadores por a época balnear ainda não se ter iniciado, esta última parte foi invenção nossa habituados a ir banhos, com algum esforço, logo em janeiro. Para mais informação sobre Reynisfjara é ver as fotos, que a pena começa a ficar gasta!
Seguiu-se uma muito breve passagem por Vik, que não desiludiu. No regresso não conseguimos ir pisar o glaciar Sólheimajökull, o que nos entristeceu, apesar de um de nós ter a certeza que seria mais uma oportunidade certa para uma escorregadela. Para terminar, a passagem por mais uma queda de água, a Seljalandsfoss. Nenhuma queda de água na Islândia é apenas uma queda de água, esta tem a característica de se poder passar por trás da mesma, em algumas alturas do ano.
Regresso a Reykjavik com um temporal de vento e neve e com a ameaça de encerramento das estradas. Como conseguimos regressar, não sabemos bem. Sabemos que a nossa guia, Monika, foi sempre dizendo ao longo do caminho, quando não se via absolutamente nada “Don’t worrrrry, I know where I am!!!”. E sabia! Deixou-nos sãos e salvos à porta do nosso apartamento. Dez minutos após o nosso regresso, as estradas foram encerradas e assim estiveram até ao início da noite.
Parte 4 - NETWORK & BALANÇO DO CURSO
Este foi o primeiro fluxo de mobilidade realizado no nosso agrupamento, no âmbito da acreditação Erasmus+. Muitos outros já estão em marcha e se seguirão, em prol da internacionalização das escolas que o constituem. Foi precisamente para gerirmos este projeto com a máxima qualidade e rigor que nos inscrevemos neste curso, que provou ser uma enorme mais-valia para a melhoria das nossas competências de gestão e de comunicação.
Efetivamente, as atividades estiveram centradas na gestão de projetos e plataformas ligadas ao programa Erasmus+, e especialmente direcionadas para os novos acreditados. Houve uma abordagem mais aprofundada às plataformas/ ferramentas eTwinning, School Education Gateway, Mobility Tool e Beneficiary Module. Discutiram-se critérios de avaliação dos projetos, tais como a relevância, a qualidade das propostas, o impacto e a disseminação, os resultados e a calendarização.
A presença de colegas docentes de outras escolas europeias foi muito importante para trocar ideias e realizar atividades de team building no âmbito dos nossos projetos. A nossa formadora, que sempre auscultou as nossas necessidades, reservou ainda algum tempo para que pudéssemos trabalhar nas nossas candidaturas em curso – foi, portanto, em Reykjavik, que submetemos as candidaturas a financiamento quer para a Acreditação no Ensino Escolar, como para a mais recente conquista da Acreditação no Ensino Profissional (VET), beneficiando do foco dado às decisões a tomar sobre os participantes e potenciais atividades a promover.
Todos os participantes, e muito particularmente a formadora, Mareike Raabe, coordenadora do projeto Erasmus+ da sua escola na Alemanha e detentora de larga experiência na conceção e participação em projetos internacionais, partilharam as boas práticas levadas a cabo na gestão das mobilidades. Demos especial atenção às mobilidades de alunos, individuais e em grupo, uma vez que este é o foco seguinte. Por outro lado, percebemos que também estamos a criar recursos e a implementar estratégias de operacionalização bastante funcionais e até criativos – a formadora elogiou particularmente o nosso processo de seleção e aprovação de atividades/ mobilidade, e as estratégias de comunicação criativas, desde o micro site ao vídeo promocional.
A visita às escolas de Reykjavik, com acreditação Erasmus+, foi um dos expoentes máximos da nossa mobilidade à Islândia, como se pode constatar na descrição apresentada na Parte 2. Em cada uma delas houve um encontro significativo com os coordenadores ou representantes do gabinete internacional, que constituiu uma oportunidade para observar como estão implementados os projetos.
À margem da gestão do projeto Erasmus, a formadora apresentou-nos ainda algumas ferramentas digitais que tornam o trabalho com colegas e alunos mais dinâmico e colaborativo – estas ferramentas serão partilhadas num TaskCard a ser disponibilizado.
Uma última palavra para a entidade organizadora do curso, PMSE+, pela estrutura do curso, pela metodologia que incluiu uma diversidade de atividades, e pela organização das visitas culturais. Estas atividades aproximaram professores dos dois cursos a decorrer em Reykjavik, o que permitiu fazer algum network e conviver.
Destacamos ainda a qualidade da formadora e a sua longa e diversificada experiência na gestão de projetos Erasmus+, bem como as suas competências comunicativas e interpessoais, visíveis na sua constante solicitude e cuidado, certificando-se das nossas necessidades e do nosso bem-estar.
Em suma, foi uma experiência marcante que temos agora a satisfação de partilhar com a comunidade escolar, incutindo nesta a importância destas mobilidades para o reforço dos valores intrinsecamente europeus, e a vontade de fazer parte desta imensa “família Erasmus+”. Seremos muitos + a contribuir para a disseminação do que aprendermos, seremos muitos + a reconhecer a riqueza deste levar e trazer.




















